sábado, 23 de outubro de 2010

Blind thirst and Braille liquor

pisca, pisca, apaga, bate, bate, para, rema, rema, afunda, respira, respira, acaba.
de ontem em diante serei obrigada a ser o que sou hoje e agora, viver presa entre a agulha do eletrograma que desliza nas páginas brancas do consultório. Presa na mente de uma pessoa que as vezes dúvido ser eu, falsos sintomas de alegria enquanto meus impulsos nervosos pedem ação ao meu corpo contrariado com essa falsa expressão. Mas o máximo que consigo é mover toda a musculatura do rosto para apenas uma expressão, o sorriso amarelo.
Passa tempo, passa e acaba.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

abstrato



Da minha vida fiz uma tela, mal acabada. No inicio, traços sem definição alguma, cores vibrantes, que demonstram felicidade, inocência e um pouco de sonhos. Em uma pincelada com cores fortes são as duvidas aparecendo, as perguntas e a confusão de ideias, mas mesmo assim, se cruzam respingos de esperança e de felicidade. Os sonhos, são fortes nessa trajetória da tela, meu desejo é criar mais traços abstratos, conhecer mais, misturar mais, me sentir dentro da tela. De longe vejo o trabalho feito durante o tempo, não me sinto satisfeita, compro mais tinta, misturo mais, sempre querendo descobrir a junção das cores, os formatos, para no fim a obra estar perfeita. Um trabalho árduo, cada risco traz um sentimento diferente, mas sempre com a sensação de faltar algo.
Ao longo do tempo as pinceladas se tornam agressivas, como se a tela já não tivesse mais sentido, vejo que a cor branca do pano apesar de ter um fim, se torna infinita, como se eu nunca pudesse alcançar a superfície, mas o desejo é de acabar a tela para que se torne perfeita e memorável, mas para quem? Para quem serviria esse esforço, essa construção, onde cada risco apenas eu decifraria? Seria capaz alguém amar uma obra, e guarda-la pra sempre, talvez em uma parede em sua memoria?
O objetivo não é apenas esse, me sinto na obrigação de termina-la, os dias passam e os riscos vão ganhando forma e a cada observação que faço dela ao longe, percebo que a desordem a transforma em algo brilhante. Mas vejo que a cavaleta que a segura, se torna frágil, e o quadro ameaça a cair, e o cuidado tem que ser maior, pois o risco da tela cair, é que talvez as linhas feitas com tanto cuidado, se embaralhem manchem e ganhem outro sentido. Cuido da tela, pois é a minha unica herança, a qual passarei para alguém admira-la e dar o devido valor e que aos poucos vá descobrindo o caminho feito entre as linhas e as cores que tracei. Minha tela é minha frustração, meus medos, minha alegria, minha tristeza, meu ego, minhas consequências  e tudo que faça algum sentido para mim. Tento ao máximo não parar de pinta-la, mas ao parecer infinita, fracasso, e a deixo sozinha, apago as luzes e a cubro, a obra inacabada, a obra que é sonho, e que ao acaba-la seja completa, com cores vibrantes, cores fortes, riscos sem sentido, respingos.. Talvez seja a unica tela que irei pintar, então a deixo assim, e talvez uma hora descobri-la-ei e termina-la-ei.
A vida é uma tela abstrata que talvez só faça sentido para o artista, mas no fundo todo artista acredita que sua obra tenha algum sentido para alguém.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

nua e crua


"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém." John Lennon.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

fim


é mais um dia, passa, devagar, o ponteiro, pesado como uma pedra, me espreguiço, o ócio, o objetivo, sem sentido algum, é surreal, o amor, o desejo, a companhia, a familia, a crença, o ponteiro desce, a hora passa, o sonho fica, a consciencia, sem sentido algum, palavra por palavra, ela se junta com o ponteiro, sincronia quase perfeita, a musica toca, o berro, o suspiro, denovo, se repete, o ócio, as conversas, o olhar, e passa, custa a passar, surreal, a mente, o ponteiro desce, as palavras, o ponteiro desce, mais palavras, mais mentiras, e passa, as horas passam, o dinheiro, o material, o desejo, o sonho, o desejo, a musica, as palavras, a imagem, e o ponteiro desce, a emoção, o grito, as lagrimas, respiração, realização, sem sentido algum, os dias, os meses os anos, as virgulas, a vida? os fio brancos aparecem, as olheiras, as rugas, a respiração, os amores, a pulsação, sem sentido algum, a solidão, a solidão, passa, passa, a vida passa, ligeiro o ponteiro desce, a cada segundo, desce, desce, afunda, e custa a afundar, a solidão bate, bate, o coração pulsa, pulsa e para...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

a voz

Platonizava um sorriso meio timido quando ouvia a voz, quantas vezes ao ouvir tal voz me acalmei. Quanto desejei os suspiros e os cochichos aos pés dos meus ouvidos. O quanto me causou essa voz timida, cheia de galanteios, com um rosto misterioso, por de tras, o qual nem chegei a ver.
Tento agarrar os sons e algumas palavras em minhas mãos. Queria por um instante guarda-las em uma caixinha de melodias.
O poder da voz se fazia material, eram como mãos, as vezes tirava o cabelo do meu rosto, enxugava algumas lagrimas, me tocava o ombro e segurava em minhas mãos.
Agora virou eco para meus ouvidos, as vezes me chama em meus sonhos, aos poucos vai sumindo e cada vez mais tenho medo de esquecer "o som da calma", que agora virou desespero.
Nem o som da chuva tinha tal poder, era o som da chuva com palavras, a vontade era de fechar os olhos e me deixar molhar, ou adormecer ao lado dessa voz. Quantos choros, risadas e promessas, as quais tento guardar em uma caixinha na memória, com todas as outras lembranças.
...o ritmo dos pingos ao cair no chão, só me deixa relembrar, tomara que eu não fique a esperar em vão, por ela que me faz chorar, chove chuva...

domingo, 15 de agosto de 2010

:|

Vai chover de novo,
deu na tv que o povo já se cansou de tanto o céu desabar,
E pede a um santo daqui que reza a ajuda de Deus,
mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim,
Vem cá que tá me dando uma vontade de chorar,
Não faz assim, não vá pra lá, meu coração vai se entregar à tempestade
Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem,
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar,
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha tv que eu vou de vez,
Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade