sábado, 30 de outubro de 2010

deixe-a mansa


apenas levar, me desculpe mas ja desisti desse jogo de viver, mas o corpo continua vagando como um sonâmbulo, sem pedir, sem contestar, sem pedir, sem contestar, sem pedir e sem contestar. abraça e leva minha alma, se é que resta algo. Um tempo agradavel é tudo que peço, um tempo sem tempestades e sem questionamento, apenas abrace, e leva minh'alma, enfeite o cotidiano, não se explique. São duas peças fundamentais, cada uma de um sentimento diferente. Sentir-me inteira, do jeito que sou. Quero o sonho realizado e apenas isso, a chuva fria fica, mas é necessario arranjar abrigo de vez em quando, sentir segurança.
A mente como um quebra-cabeça, ninguem é capaz de montar ou entender a figura completa, epenas passe o tempo montando algumas peças, com paciencia, com gosto de cada momento, descobrindo cada parte. sem pedir sem contestar, sem pedir e sem contestar, ninguem se entende.

sábado, 23 de outubro de 2010

Blind thirst and Braille liquor

pisca, pisca, apaga, bate, bate, para, rema, rema, afunda, respira, respira, acaba.
de ontem em diante serei obrigada a ser o que sou hoje e agora, viver presa entre a agulha do eletrograma que desliza nas paginas brancas no consultorio. Preso na mente de uma pessoa que as vezes duvido ser eu, falsos sintomas de alegria, enquanto meus impulsos nervosos, pedem ação ao meu corpo. Mas o maximo que consigo é mover toda a musculatura do rosto para apenas uma expressão, o sorriso.
Passa tempo, passa e acaba.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

abstrato



Da minha vida fiz uma tela, mal acabada. No inicio, traços sem definição alguma, cores vibrantes, que demonstram felicidade, inocência e um pouco de sonhos. Em uma pincelada com cores fortes são as duvidas aparecendo, as perguntas e a confusão de ideias, mas mesmo assim, se cruzam respingos de esperança e de felicidade. Os sonhos, são fortes nessa trajetória da tela, meu desejo é criar mais traços abstratos, conhecer mais, misturar mais, me sentir dentro da tela. De longe vejo o trabalho feito durante o tempo, não me sinto satisfeita, compro mais tinta, misturo mais, sempre querendo descobrir a junção das cores, os formatos, para no fim a obra estar perfeita. Um trabalho árduo, cada risco traz um sentimento diferente, mas sempre com a sensação de faltar algo.
Ao longo do tempo as pinceladas se tornam agressivas, como se a tela já não tivesse mais sentido, vejo que a cor branca do pano apesar de ter um fim, se torna infinita, como se eu nunca pudesse alcançar a superfície, mas o desejo é de acabar a tela para que se torne perfeita e memorável, mas para quem? Para quem serviria esse esforço, essa construção, onde cada risco apenas eu decifraria? Seria capaz alguém amar uma obra, e guarda-la pra sempre, talvez em uma parede em sua memoria?
O objetivo não é apenas esse, me sinto na obrigação de termina-la, os dias passam e os riscos vão ganhando forma e a cada observação que faço dela ao longe, percebo que a desordem a transforma em algo brilhante. Mas vejo que a cavaleta que a segura, se torna frágil, e o quadro ameaça a cair, e o cuidado tem que ser maior, pois o risco da tela cair, é que talvez as linhas feitas com tanto cuidado, se embaralhem manchem e ganhem outro sentido. Cuido da tela, pois é a minha unica herança, a qual passarei para alguém admira-la e dar o devido valor e que aos poucos vá descobrindo o caminho feito entre as linhas e as cores que tracei. Minha tela é minha frustração, meus medos, minha alegria, minha tristeza, meu ego, minhas consequências  e tudo que faça algum sentido para mim. Tento ao máximo não parar de pinta-la, mas ao parecer infinita, fracasso, e a deixo sozinha, apago as luzes e a cubro, a obra inacabada, a obra que é sonho, e que ao acaba-la seja completa, com cores vibrantes, cores fortes, riscos sem sentido, respingos.. Talvez seja a unica tela que irei pintar, então a deixo assim, e talvez uma hora descobri-la-ei e termina-la-ei.
A vida é uma tela abstrata que talvez só faça sentido para o artista, mas no fundo todo artista acredita que sua obra tenha algum sentido para alguém.